Abres um gráfico de bolsa pela primeira vez e vês um monte de barrinhas verdes e vermelhas com pauzinhos em cima e em baixo. Parece um hieróglifo. Não é. Essas barrinhas chamam-se velas japonesas e, assim que percebes como são feitas, contam uma história muito clara: quem ganhou o braço de ferro, os compradores ou os vendedores. Vamos lê-las juntos, do zero, sem dar nada por sabido.
Imagina que o preço de algo (uma ação, o ouro, seja o que for) se move o tempo todo durante o dia. Para não ficares louco a olhar para cada micromovimento, o tempo é dividido em pedaços: um pedaço pode ser um minuto, uma hora ou um dia inteiro. Cada vela resume tudo o que aconteceu num desses pedaços. Uma só vela diz-te quatro coisas sobre esse período, e com isso já tens uma foto fiel do que ocorreu.
Toda vela guarda exatamente quatro dados. São a base de tudo, por isso vale a pena tê-los claros:
Com esses quatro números desenha-se a vela. E aqui vem o bonito: cada parte da vela representa um deles.
A vela tem duas partes. O corpo é o retângulo grosso do centro: vai da abertura até ao fecho. É o coração da vela e diz-te onde o preço começou e onde terminou. Os pavios (também chamados sombras) são os pauzinhos finos que saem por cima e por baixo: marcam até onde o preço chegou no seu ponto mais alto e mais baixo antes de se recolher.
Pensa assim: o corpo é onde o preço acabou por descansar; os pavios são os extremos a que se assomou e de onde voltou. Um pavio longo em baixo, por exemplo, significa que o preço caiu muito mas depois os compradores empurraram-no de volta para cima.
A cor é a primeira coisa que salta à vista e a mais fácil de ler:
Uma vela sozinha já te sussurra coisas. Um corpo longo e quase sem pavios diz-te que um lado dominou do início ao fim. Uma vela com o corpo minúsculo e pavios de ambos os lados (chama-se doji) diz-te indecisão: compradores e vendedores empataram. E uma vela com um pavio muito longo para um lado avisa-te de que o preço tentou ir por ali e foi rejeitado com vontade.
Não é preciso decorar nomes estranhos. Basta perguntares-te: o corpo é grande ou pequeno? de que cor? onde estão os pavios longos? Com essas três perguntas já lês 80% do que importa.
Quando juntas duas ou três velas seguidas, às vezes formam figuras que muita gente gosta de vigiar. Só te mostro duas, as mais famosas, para que te soem:
Atenção importante: estes padrões não adivinham o futuro. São pistas, não certezas. Falham muitas vezes e só fazem sentido dentro do contexto geral do gráfico. Operar com dinheiro real acarreta sempre risco, e nenhum padrão o elimina.
Não tentes ler cada vela como se fosse um exame. Dá um passo atrás e olha para o conjunto: há mais verde ou mais vermelho? o preço sobe em degraus, desce ou anda de lado? Isso é mais útil do que obcecar-te com uma só vela. Para perceber esse "para onde vai" vai-te dar muito jeito o guia de como identificar a tendência, e para saber em que zonas o preço costuma travar, o de suportes e resistências.
Pratica olhando para gráficos sem dinheiro em jogo. Repara em velas concretas e pergunta-te que história contam. Com umas semanas a olhar, vais começar a "ver" o braço de ferro entre compradores e vendedores quase sem esforço.